sexta-feira, 21 de março de 2014



MORTE DE UM INOCENTE
Eu fui a uma festa, mãe.
Eu lembrei o que você disse.
Você disse para eu não beber e eu não bebi.
Eu me senti orgulhosa de mim, como você disse que eu me sentiria.
Antes de dirigir, eu não bebi, mãe, embora alguns amigos insistissem para que eu bebesse.
Eu agi certo, mãe.
E sei que você sempre esteve certa.
A festa foi acabando, mãe. E os amigos foram saindo.
Quando eu entrei no carro, eu acreditei que logo chegaria em casa e inteira!
Isso por causa do jeito responsável e doce que você me criou.
Eu dei partida, mãe, e assim que entrei na avenida um outro carro não me viu, bateu forte e eu fui lançada para fora.
Aqui no solo da avenida, enquanto o socorro não vinha, eu escutei um policial dizer que o outro motorista estava bêbado, mãe.
E agora sou eu que pago por isso.
Estou morrendo aqui, mãe.
Eu gostaria que você chegasse logo.
Como isso pôde me acontecer, mãe?
Minha vida simplesmente se queimar como um balão?
Há sangue por toda parte mãe, e a maior parte é o meu sangue.
Eu agora escuto o médico dizer que morrerei em poucos minutos.
Eu só queria lhe dizer, mãe, jurar que eu não bebi!
Os outros, sim, mãe. Eles não pensaram.
Aquele que me atingiu, provavelmente estava na mesma festa.
A diferença, mãe, é que ele bebeu e eu é que vou morrer.
Porque há gente assim, mãe?
Eles não percebem que podem arruinar a própria vida?
Estou sentindo dores agudas, mãe.
O cara que me atingiu está andando e eu não consigo achar isso justo.
Eu morrendo e tudo que ele faz é ficar parado me olhando.
Diga ao meu irmão para não chorar e para o papai não ficar bravo comigo.
E quando eu partir, mãe, ponha flores do campo no meu sepulcro.
Alguém deveria ter avisado esse cara para não beber antes de dirigir.
Se ele não tivesse bebido, eu ainda poderia continuar viva!
Minha respiração está enfraquecendo, mãe.
Estou ficando com medo.
Por favor, não chore por mim, mãe.
Sempre que eu precisei, você não falhou.
Eu só tenho uma última pergunta, mãe, antes de me despedir:
Eu não bebi antes de dirigir, então porque sou eu a morrer?
Este é o fim, mãe.
Eu gostaria de poder olhar nos seus olhos para dizer estas palavras finais:
Eu te amo... e... adeus...

sábado, 1 de março de 2014

'Eu bebi, ele bebeu', diz mulher de motorista que atropelou foliões em SP


Ela afirma ter sido agredida durante confusão na Vila Madalena.
Motorista foi preso e indiciado por suspeita de embriaguez e lesão corporal.

Do G1 São Paulo
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Mulher mostra perna machucada após confusão (Foto: Reprodução/TV Globo)Mulher mostra perna machucada após confusão
(Foto: Reprodução/TV Globo)
A mulher do motorista que atropelou foliões de um bloco de rua na Vila Madalena, Zona Oeste de São Paulo, admitiu que o marido e ela beberam antes do acidente. O atropelamento aconteceu na Rua Aspicuelta, esquina com a Rua Fidalga, por volta das 19h40 de domingo (23), e deixou sete feridos. O comerciante Sulivan de Oliveira, de 26 anos, foi preso e indiciado por suspeita de embriaguez ao volante e lesão corporal.
“Eu bebi, ele bebeu. Ele bebeu duas latinhas de cerveja”, disse a mulher, que não quis divulgar o nome ou mostrar o rosto. Segundo a mulher, o casal chegou a ser agredido pela multidão após o atropelamento. “Jogaram garrafa dentro do carro, jogaram garrafa em mim,  o carro está cheio de garrafa de cerveja.”
Como a pena dos crimes atribuídos ao motorista é superior a cinco anos de prisão, a delegada do 14º Distrito Policial, em Pinheiros, que indiciou o suspeito não pode arbitrar uma fiança para que ele responda em liberdade. Nesse caso, somente um juiz poderá fazer isso. Sendo assim, o motorista continuará preso e deve ser levado para uma delegacia de trânsito até ser transferido para uma unidade prisional.
O comerciante não quis falar com os jornalistas. Ele estava com a cabeça enfaixada. Além do depoimento de testemunhas, que presenciaram o atropelamento, exame clínico comprovou que o condutor do carro estava embriago no momento em que dirigia.
Segundo Leite, o motorista, que estava com uma mulher no banco ao lado, arrancou com seu veículo e atingiu outros foliões, derrubando parte deles. Revoltados, os participantes tentaram agredir o homem, que escapou com a mulher pela porta do carona. “Alguns foliões ajudaram o casal. Os dois correram para um posto e tentaram se proteger de garrafas e latas.” Enquanto isso, o carro era depredado.

No momento do acidente, o trânsito não estava bloqueado. “Ele atropelou as pessoas, depois deu ré”, disse o autônomo Ricardo de Oliveira.

A confusão só terminou com a chegada da PM. O motorista machucou a perna.
Com o impacto, as pessoas atropeladas foram jogadas contra outro veículo, que teve a porta amassada. Investigadores vão tentar localizar câmeras de segurança que possam ter registrado o atropelamento.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, cinco pessoas tiveram ferimentos leves, foram atendidas no Pronto-Socorro da Lapa, e liberadas ainda na noite deste domingo. Uma pessoa precisou ser transferida para o Hospital das Clínicas, mas até a 0h30, não havia informações sobre o estado de saúde dela.
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Carro que atingiu foliões está estacionado em delegacia de SP (Foto: Paulo Toledo Piza/G1)Carro que atingiu foliões está estacionado em delegacia de SP (Foto: Paulo Toledo Piza/G1)
Campanha de carnaval da SENAD alerta para uso de drogas e direção nas estradas
A Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas do Ministério da Justiça (SENAD/MJ) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) lançaram a campanha de carnaval "Álcool, crack, outras drogas, o trânsito e você?". O objetivo é garantir a segurança no trânsito e prevenir acidentes nas estradas na época de folia. 

Cerca de 60 mil panfletos estão sendo distribuídos em todo o Brasil. A PRF usa vans e ônibus preparados com sistema de som, ar condicionado, cadeiras e tela para exibição de vídeos de conscientização. Esses veículos ficam transitando e param em lugares estratégicos por três horas para que a população possa ser orientada. 

A campanha tem ênfase nos estados de Minas Gerais e Bahia, onde há maior índice de morte no Brasil na época de carnaval, alcançando 33%, de acordo com dados da PRF.

Drogas e direção

Em Florianópolis acontece um curso de formação de policiais com o objetivo de capacitá-los na abordagem, fiscalização e prevenção de acidentes nas estradas. No total serão mil policiais que irão atuar na campanha, além de 3 mil que irão agir nos principais carnavais do país. 

O intuito da campanha é alertar para os riscos do uso de bebida alcoólica e drogas ao volante. O uso dessas substâncias tem efeito direto na capacidade de reagir a situações imprevisíveis, principalmente no trânsito. Alguns dos efeitos são: 

- Diminuição dos reflexos, equilíbrio, concentração

- Perda de noção de distância, espaço, tempo e velocidade

- Desatenção, irritabilidade, alucinação 

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), essas infrações são consideradas gravíssimas, podendo acarretar multa de R$1.915,40, suspensão do direito de dirigir por 12 meses, retenção do veículo e detenção de seis meses a três anos.